quinta-feira, outubro 29, 2015

Moscovo: Fahrenheit 451 e os livros ucranianos

No dia 28 de outubro de 2015 a Biblioteca da literatura ucraniana de Moscovo foi alvo de buscas de polícia. Os agentes apreenderam os documentos, meios eletrónicos e alguma literatura. A busca foi desencadeada, segundo a informação de que no arquivo da biblioteca existem os exemplares do jornal ucraniano que alegadamente “distorce os factos históricos de maneira russófoba”, segundo a agência de informaçãoMoscovo”.

Nas vésperas, as buscas também decorreram em casa da diretora da biblioteca, Natalia Sharina e no apartamento do represente do Congresso Mundial Ucraniano (SKU), Valeriy Semenenko, que ao mesmo tempo é co-chefe da União dos Ucranianos da Rússia e chefe da organização “Ucranianos de Moscovo”. Como contou o seu filho, Taras Semenenko, as buscas em casa decorreram sem a presença do advogado. A polícia aprendeu os documentos e computador, detendo o próprio Valeriy Semenenko, levando o ativista ucraniano à Procuradoria Moscovita Inter-bairros Taganskaya, informa ovdinfo.org
O ativista ucraniano Valeriy Semenenko
No mesmo dia, após uma “conversa” de várias horas Valeriy Semenenko foi libertado da Procuradoria. Tal como a detenção, a “conversa” demorada decorreu sem a presença do advogado, escreve ovdinfo.org

A diretora da biblioteca ucraniana é detida
A diretora Natalia Sharina
Como informa a agência russa “Interfax”, a diretora da Bibliotecа ucraniana, Natalia Sharina foi detida para a interrogação. A agência ucraniana UNIAN escreve que durante as buscas na biblioteca, os agentes da polícia e os agentes da polícia antimotim estavam “plantando na biblioteca alguma literatura, provavelmente nacionalista”. Pela informação do centro russo SOVA, as buscas podem decorrer no âmbito de investigação criminal sobre alegada divulgação de livros de cariz “anti-russo e anti-Rússia”, que foi iniciada contra a Biblioteca em dezembro de 2010 e encerrado em 2011.

As crónicas da distopia russa

Em 19 de dezembro de 2000, a Biblioteca da literatura ucraniana foi criada através do decreto do governo de Moscovo.
No dia 23 de dezembro de 2010 na Biblioteca decorreu a 1ª busca, conduzida pelo Departamento de Luta contra o Extremismo que apreeendeu 50 livros ucranianos para submete-los à peritágem psico-linguística.
Em 26 de dezembro de 2010, após a 2ª busca, na qual foram apreendidos os discos duros dos computadores e os cartões de todos os leitores (Sic!), a Biblioteca foi selada e fechada.
Em 12 de janeiro de 2011 a Biblioteca voltou à funcionar.
Em 14 de janeiro de 2011 a Biblioteca foi alvo de uma 3ª busca, no decorrer do qual foi apreendido o seu servidor e o diretor foi espancado pelo agente da polícia moscovita.


Blogueiro: tudo isso faz pensar que federação russa, lentamente mas invariavelmente vai à deriva ora à Alemanha nazi, ora ao mundo distópico de “Fahrenheit 451”, onde o trabalho dos bombeiros consistia na queima dos livros. 

É bastante lógico que a função da única biblioteca pública ucraniana em todo o território da Rússia, é fornecer aos seus leitores os jornais e livros, de diversos quadrantes e correntes políticas. Na URSS, mesmo os livros proibidos ao público geral, poderiam ser consultados nas salas de leitura especiais, abertos aos, que da alguma maneira gozavam de confiança do regime. Atualmente, no aspecto de liberdades e garantias a federação russa está regredir, mesmo aos padrões soviéticos. 

Mais, na Rússia existe a “Lista federal de materiais extremistas”. A Lista é compilada pelo Ministério da Justiça com base em decisões dos tribunais. É claro que nada desta lista se encontra na Biblioteca ucraniana.

Bónus
No dia 28 de outubro em Kyiv, em frente da embaixada de Israel na Ucrânia, decorreu uma manif em apoio ao Israel, que contou com cerca de uma centena de presentes.

Sem comentários: